Bactérias aliadas: como microrganismos do solo ajudam o tomate-cereja a resistir à seca

Pesquisa brasileira publicada em 2025 demonstra que a inoculação de duas espécies bacterianas melhora o desempenho do tomate-cereja mesmo quando a oferta de água é reduzida a menos da metade do necessário Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Federal Goiano (IF Goiano – Campus Ceres), com participação do Centro de Excelência em Bioinsumos (CEBIO), aponta uma alternativa promissora para o cultivo sustentável de tomate-cereja em Goiás. Publicada em setembro de 2025, a pesquisa revelou que a aplicação das bactérias benéficas Bacillus subtilis e Burkholderia seminalis pode reduzir os efeitos da escassez de água nas plantas e manter seu desenvolvimento mesmo com índices abaixo da reposição hídrica recomendada. Conduzido em estufa, modelo de cultivo mais comum na produção comercial de tomate-cereja, o experimento submeteu as plantas a quatro níveis de reposição de água (40%, 60%, 80% e 100% da necessidade hídrica da cultura), com e sem a aplicação das bactérias benéficas. A pesquisa demonstrou que, mesmo sob condição severa de restrição hídrica, os tratamentos com bioinsumos apresentaram respostas positivas. As plantas inoculadas mantiveram maior teor de água nas folhas, melhor desenvolvimento vegetativo e maior equilíbrio fisiológico. Além disso, apresentaram melhorias em parâmetros relacionados à qualidade dos frutos, como o aumento no teor de sólidos solúveis. Segundo o Dr. Henrique Fonseca Elias de Oliveira, coordenador de Difusão Tecnológica da Unidade de Transferência de Tecnologia (UTT) CEBIO e primeiro autor do estudo, os resultados representam mais do que um avanço acadêmico. “O que mais chamou atenção foi a resposta consistente das plantas tratadas, tanto em vigor quanto em desempenho produtivo. Observamos estabilidade nos resultados, o que é fundamental para trazer previsibilidade ao sistema produtivo”, afirma. O professor explica que as duas bactérias podem estimular o crescimento das raízes, aumentando a eficiência na absorção de nutrientes e ajudando a planta a lidar melhor com estresses ambientais, como o déficit hídrico. “Elas não substituem totalmente os fertilizantes químicos, mas funcionam como um complemento estratégico, permitindo reduzir doses e tornar o manejo mais equilibrado e sustentável”, destaca. Em comparação às plantas que não receberam inoculação bacteriana, os tratamentos com Bacillus subtilis e Burkholderia seminalis apresentaram ganhos importantes em diferentes parâmetros de crescimento, qualidade e equilíbrio fisiológico das plantas. Burkholderia seminalis Bacillus subtilis Crescimento vegetal Pigmentos e qualidade – Aumentou a massa fresca da parte aérea em 122%– Aumentou a massa seca da parte aérea em 135%– Elevou a massa fresca de raízes em 58%– Aumentou o volume de raízes em 74%– Maior número de frutos por cacho (exceto a 100% ETc) – Aumentou teor de clorofila b nas folhas– Elevou o conteúdo de carotenoides– Maior teor de sólidos solúveis nos frutos (°Brix)– Diâmetros equatorial e longitudinal maiores– Manteve clorofila a estável em todos os níveis hídricos O déficit hídrico é um dos principais estressores da produção agrícola tropical. No tomateiro, a escassez de água compromete desde a abertura dos estômatos até a fotossíntese. O resultado quase sempre é o mesmo: plantas menores, menos frutos e queda na qualidade. Um dos resultados mais significativos do estudo foi o efeito das inoculações sobre o teor de água foliar sob o déficit mais severo (40%). Enquanto plantas não inoculadas apresentaram apenas 17,9% de teor hídrico nas folhas nessa condição, as inoculadas com as bactérias atingiram 35,4% e 30,8%, respectivamente – quase o dobro. Esse dado é relevante porque o teor hídrico foliar é um indicador direto da capacidade da planta de manter suas funções fisiológicas básicas durante períodos de estresse. Plantas que preservam a hidratação das folhas conseguem manter a fotossíntese ativa por mais tempo, com reflexo direto na produção de frutos. Os resultados obtidos vão além do cultivo protegido de tomate-cereja. Para Henrique, a pesquisa abre portas para diferentes cadeias produtivas da horticultura goiana e o momento não poderia ser mais oportuno, graças à crescente exigência dos mercados consumidores por alimentos produzidos com responsabilidade ambiental. “Os achados científicos gerados nesses estudos, com os devidos ajustes de escala e manejo, também podem contribuir para o aprimoramento da produção de tomate industrial e de mesa tradicional, especialmente no aumento da eficiência no uso de água e nutrientes e na maior resiliência das plantas a estresses ambientais.”, pontuou. Os próximos passos incluem a validação dos resultados em maior escala e em condições mais próximas à realidade do produtor, com testes em diferentes ambientes de cultivo e ciclos produtivos. Também está em andamento a integração dos bioinsumos com estratégias de manejo inteligente – como controle ambiental automatizado, irrigação de precisão e monitoramento fisiológico das plantas. Segundo Henrique, para o setor produtivo, a pesquisa abre perspectivas muito concretas: redução de custos com insumos químicos, maior eficiência no uso de nutrientes, aumento da estabilidade produtiva e, principalmente, avanços em sustentabilidade, o que é fundamental para mercados mais exigentes. “Há ainda potencial de aplicação direta em sistemas de agricultura protegida e cultivo de alto valor agregado, como o tomate-cereja, morango, folhosas, dentre outras.”. Em um cenário de maior exigência dos consumidores, os resultados reforçam que bioinsumos, ciência aplicada e tecnologia agrícola já se consolidam como estratégia concreta para ampliar a competitividade da produção goiana – agregando valor, sustentabilidade e inovação ao campo. O Brasil é o nono maior produtor mundial de tomates, com 4,7 milhões de toneladas colhidas em 2024, segundo o IBGE. Dentro desse universo, o tomate-cereja ocupa um espaço ainda restrito (menos de 1% do total produzido), mas com crescimento acelerado e valor de mercado muito superior ao das variedades convencionais. Seu apelo está na combinação de sabor, aparência e versatilidade, o que faz com que o tomate-cereja conquiste espaço em saladas gourmet, petiscos, conservas e até sobremesas. A demanda cresce especialmente nos segmentos orgânico e premium, impulsionada pela preferência dos consumidores por alimentos frescos e de alto valor agregado. Nesse contexto, Goiás se destaca como um dos principais polos produtores do país. Com quase 1 milhão de toneladas de tomate na safra 2022/23 e rendimento médio 23,5% acima da média nacional, o estado lidera o segmento. Apesar da relevância, o tomate-cereja e o tomate grape ainda são contabilizados de forma
CEBIO Feira em Formosa consolida modelo pioneiro de bioinsumos e fortalece a agricultura familiar em Goiás

No último dia 29 de abril, o CEBIO realizou a segunda edição da CEBIOFeira. A ação aconteceu no Ginásio Jardim Califórnia, em Formosa, reunindo agricultores familiares, estudantes, pesquisadores, gestores públicos e a comunidade local em torno de uma proposta comum: demonstrar, na prática, como os bioinsumos podem transformar a produção agrícola. Promovido por meio da Unidade de Transferência de Tecnologia (UTT) do Instituto Federal Goiano – Campus Posse, o evento marcou a etapa de culminância do projeto CEBIO Entrega, responsável por ampliar o acesso de pequenos produtores às tecnologias biológicas no interior de Goiás.
CEBIOFeira chega à 2ª edição e consolida avanço dos bioinsumos na agricultura familiar em Goiás

A interiorização das políticas públicas de bioinsumos em Goiás ganha um novo capítulo com a segunda edição da CEBIOFeira, um projeto do Centro de Excelência em Bioinsumos (CEBIO), que une pesquisa aplicada, extensão rural e transferência de tecnologia. A ação terá sua segunda edição no próximo dia 29 de abril, a partir das 9h, no Ginásio Jardim Califórnia em Formosa, e reunirá agricultores, estudantes, pesquisadores e gestores públicos.
Encontro presencial reúne pós-graduandos em bioinsumos no IF Goiano e destaca avanços do setor

Os estudantes do curso de Pós-graduação Lato Sensu em Bioinsumos do Instituto Federal Goiano – Campus Hidrolândia, da turma de 2025, participaram do II Encontro Presencial realizado nos dias 27 e 28 de março de 2026, com uma programação voltada à atualização científica e à discussão de tendências do setor.
Defesas de TCC destacam inovação e sustentabilidade na pós-graduação em Bioinsumos do IF Goiano

Os discentes do curso de Pós-graduação Lato Sensu em Bioinsumos do Instituto Federal Goiano – Campus Hidrolândia (Turma 2024) concluíram mais uma etapa da formação acadêmica com a realização das defesas de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), requisito para obtenção do título de especialista na área.
CEBIO apresenta ações de extensão e inovação em bioinsumos na II Mostra de Extensão do IF Goiano

No último dia 27, o Centro de Excelência em Bioinsumos (CEBIO) participou, com estande institucional, da II Mostra de Extensão realizada durante a inauguração do Centro de Palestras e Eventos da Escola-Fazenda do Instituto Federal Goiano – Campus Campos Belos.
MDA, IF Goiano e CEBIO firmam parceria para capacitação nacional em bioinsumos

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) firmou, na última quinta-feira (30), uma parceria estratégica com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IF Goiano), com a participação do Centro de Excelência em Bioinsumos (CEBIO), voltada ao fortalecimento de políticas públicas para a agricultura sustentável no Brasil. A iniciativa foi oficializada por meio da assinatura de um Termo de Execução Descentralizada (TED), no âmbito do Programa Mais Gestão, durante evento realizado na Reitoria do IF Goiano, e marcou o lançamento de ações voltadas à capacitação nacional de agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) em bioinsumos.
Governador recebe iniciativa simbólica do CEBIO em defesa da agricultura sustentável em Goiás

Na última sexta-feira (5), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, recebeu pesquisadores, representantes do CONFAP, dirigentes da FAPEG e autoridades da área de ciência, tecnologia e inovação para um almoço restrito no Palácio das Esmeraldas, como parte da programação do 70º Fórum Nacional CONSECTI & CONFAP. Na ocasião, o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IF Goiano, Alan Carlos da Costa e o presidente da FAPEG, Marcos Arriel, participaram da entrega de uma representação simbólica do trabalho desenvolvido pelo CEBIO e pela rede de unidades de bioinsumos do centro.
CEBIO marca presença no 70º Fórum Nacional CONSECTI & CONFAP, em Goiânia

O Centro de Excelência em Bioinsumos (CEBIO) participou da 70ª edição do Fórum Nacional CONSECTI & CONFAP, realizado de 3 a 5 de dezembro de 2025, no HUB Goiás, em Goiânia. O encontro reuniu representantes das 27 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, secretários estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação, além de dirigentes de agências nacionais e internacionais de fomento, consolidando-se como um dos mais relevantes espaços de discussão sobre políticas públicas de CT&I no país.
CEBIO e Quênia fortalecem laços em ciência e educação com foco na agricultura sustentável

Na última terça-feira (3), o CEBIO realizou, por meio da representação de Lídia Morais, Assessoria Internacional do IF Goiano e do professor pesquisador e Coordenador da UTT do campus Hidrolândia, Jacson Zuchi, uma reunião de alto nível que contou com a presença da Embaixadora do Quênia, Peris Kariuki, e destacou a intensificação das parcerias com a República do Quênia, com foco em eixos estratégicos como agricultura, pecuária e sustentabilidade. O encontro reforçou o interesse e o compromisso mútuo em colaboração.