Participação reforça papel do centro em aproximar ciência, bioinsumos e sustentabilidade ao setor produtivo do algodão

CEBIO marca presença no 22º Dia do Algodão em Montividiu, Goiás

O Centro de Excelência em Bioinsumos (CEBIO), por meio da Unidade de Referência em Bioinsumos (URB) – Promotores do Crescimento de Plantas do IF Goiano Campus Rio Verde, marcou presença no 22º Dia do Algodão da AGOPA (Associação Goiana dos Produtores de Algodão) no Instituto Goiano de Agricultura (IGA), em Montividiu (GO). Reconhecido como o maior evento técnico do algodão em Goiás, o encontro aconteceu no último dia 4 e reuniu produtores, pesquisadores e representantes do setor para debater o futuro da cultura em um cenário de sustentabilidade e inovação.

A participação do CEBIO no evento teve como foco a difusão das pesquisas em andamento e a apresentação das tecnologias biológicas ao setor produtivo, aproximando os resultados científicos dos produtores e mostrando, na prática, como os bioinsumos podem fortalecer a sustentabilidade, a rentabilidade e a competitividade do algodão brasileiro.

No estande do CEBIO, os visitantes conheceram tecnologias biológicas aplicáveis ao cultivo do algodão, com foco em promotores do crescimento vegetal e microrganismos que atuam no controle biológico de pragas e doenças. Foram apresentados resultados dos projetos de pesquisas com bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii), bactérias antagonistas e parasitas de insetos-praga (Pseudomonas fluorescens e Paraburkholderia sp.), fungos solubilizadores de fosfatos (Penicillium sp. e Aspergillus sp.), fungos antagonistas a fitopatógenos (Trichoderma asperellum e Trichoderma harzianum) e fungos entomopatogênicos (Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana e Isaria fumosorosea). O destaque do estande ficou com a recente pesquisa da URB com microalgas.

De acordo com a pesquisadora Ketlyn Sousa, da URB CEBIO do IF Goiano Campus Rio Verde, as microalgas se destacam como novas aliadas na agricultura por possuírem vitaminas e minerais que melhoram a fisiologia e o metabolismo das plantas, além de auxiliarem na tolerância ao estresse hídrico e térmico, contribuindo para a manutenção da produtividade e da qualidade do algodão “Esses organismos servem como bioestimulantes e mitigadoras de estresses climáticos, como déficit hídrico e altas temperaturas, frequentes nesta região. Elas oferecem um suporte a mais para que as culturas mantenham sua produtividade e qualidade mesmo diante de eventos climáticos adversos, agregando valor à produção e reduzindo perdas em campo”, explicou Ketlyn.

O coordenador executivo da URB-CEBIO IF Goiano Campus Rio Verde, professor Edson Souchie, destacou que o Brasil ocupa, em 2025, a terceira posição no ranking mundial de produção de algodão e se consolidou como o maior exportador global desde 2024. Nesse cenário, as tecnologias com bioinsumos se tornam estratégicas para o setor “Cada vez mais, a sustentabilidade deixa de ser um diferencial e se torna um requisito para a produção agrícola, especialmente em uma commodity global como o algodão. Os bioinsumos cumprem um papel duplo: reduzir a dependência de insumos químicos e agregar valor socioambiental ao produto final”, explicou.

Estande do CEBIO apresentou tecnologias biológicas com promotores do crescimento vegetal, microrganismos que atuam no controle biológico de pragas e doenças e pesquisa recente com microalgas

Atualmente, cerca de 84% do algodão produzido no Brasil detém certificações socioambientais, reforçando a importância de soluções biológicas alinhadas a padrões de mercado. Para os produtores, o uso de bioinsumos significa não apenas economia, mas também o acesso a mercados exigentes e preocupados com rastreabilidade e impacto ambiental, “As tecnologias biológicas não são apenas uma tendência de mercado, mas uma necessidade para manter a competitividade do algodão brasileiro frente às novas demandas globais”, pontuou Souchie.

Durante o evento, a equipe do CEBIO também apresentou projetos de pesquisa e extensão realizados em parceria com instituições como IF Goiano, FAPEG, FUNAPE, MAPA e Governo de Goiás, através do Plano ABC+Goiás, reforçando a articulação interinstitucional em prol da agricultura sustentável.

Para o diretor-geral do CEBIO, Alexandre Igor de Azevedo Pereira, a presença no evento reforça a relevância da ciência aplicada aos bioinsumos na transformação da cotonicultura, “Participar de um evento como este é uma oportunidade ímpar para mostrar como a ciência aplicada aos bioinsumos pode ser uma aliada estratégica da cotonicultura. Não se trata apenas de substituir insumos químicos, mas de transformar o modelo produtivo com inteligência ecológica”, explicou.

O evento também contou com a presença do Prof. Dr. Alan Carlos da Costa, Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IF Goiano, que destacou a importância institucional no importante momento: “A presença do IF Goiano neste evento, por meio do CEBIO, é motivo de orgulho. É a demonstração concreta de como nossa produção científica e tecnológica está alinhada às demandas do setor produtivo. A cotonicultura goiana tem muito a ganhar com a ciência pública de qualidade”.


Alan Carlos da Costa, Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IF Goiano em seu momento de fala no 22º Dia do Algodão

Por fim, ainda houve espaço para uma interação estratégica entre os dois Centros de Excelência do Governo de Goiás gerenciados pelo IF Goiano. O Dr. Leandro Rodrigues da Silva Souza, diretor científico do Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (CEAGRE) do IF Goiano, ressaltou o papel das parcerias entre centros: “A integração entre o CEAGRE e o CEBIO representa uma estratégia poderosa para alavancar a inovação no agro. São dois centros de excelência que atuam de forma complementar, levando soluções biológicas, digitais e sustentáveis para dentro da porteira. Quando unimos esforços, o impacto é ainda maior para o agricultor e para a sustentabilidade da produção agrícola no estado de Goiás”, ressaltou Leandro.

Da esquerda para direita: Alan Carlos da Costa (Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IF Goiano), Raul Maciel (Diretor Executivo da AGOPA e FIALGO), Haroldo Cunha (Presidente da AGOPA), Alexandre Igor (Diretor geral do CEBIO) e Leandro Rodrigues (Diretor científico do CEAGRE)
Equipe da URB IF Goiano – Campus Rio Verde no estande do CEBIO durante o 22º Dia do Algodão

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